quarta-feira, 16 de novembro de 2016

NÃO USE UBER !


Sem entrar na questão da máfia de taxistas em São Paulo, por exemplo, que deveria ser combatida pelas administrações municipais e nunca foi, seja o prefeito Maluf, Marta, Serra ou Haddad, a profissão de taxista permitia ao profissional dar uma vida decente a ele e a sua família. Garantia a estes profissionais uma renda de classe média. Mas esta profissão está sendo substituída por um bico. O Uber é a precarização do trabalho, tendo para esta carreira os mesmos efeitos que a terceirização da CLT terá em outras carreiras.
O consumidor do Uber costuma ser feliz. “Pago beeeem menos que no táxi e ainda ganho bala e água” é a frase quase sempre repetida pelos seus usuários. O consumidor no sistema em que vivemos é quase endeusado e não costuma muito se preocupar com os impactos sociais de seu consumo, neste caso predatório. É no ato individual do consumo que encontramos a verdadeira “felicidade”, prega o sistema. Como um patrão que demite um funcionário com direitos trabalhistas e contrata para o lugar um jovem estagiário louco para mostrar serviço e sem direito algum, a sociedade está demitindo os taxistas para colocar no lugar os motoristas de Uber. Apenas para pagar menos.
O Uber é uma empresa americana que está criando um monopólio mundial no serviço de transporte de passageiros. Vem fazendo isto de forma desregulada e se aproveitando de pessoas normalmente em situações difíceis, dispostas a aceitar este emprego quase como um bico ou um complemento de renda. Cresce em locais com alto índice de desemprego ou em que há diminuição no nível de salários. Aposta em ganho de escala. Joga o custo lá embaixo e ganha muito com a quantidade de pessoas que se sujeitam à sua exploração. Ganhando um pouquinho com cada motorista, no final ganha um montão. Para o motorista que efetivamente realiza o trabalho, fica o pouquinho que não vira montão. O Uber é a destruição da profissão. Tudo com a concordância do consumidor egoísta, que só quer pagar menos sem nenhuma preocupação com o impacto social de seu consumo.
O capitalismo costuma destruir de forma sedutora. No caso do Uber é oferecendo bala e água. Mas o forte mesmo é o preço. Somos ensinados a querer pagar sempre menos e a não assumir nenhuma responsabilidade por aquilo que consumimos. O consumidor é rei e sempre inocente. Compramos Iphones produzidos com trabalho escravo na Ásia. Mas o que nos incomoda não é a forma como ele é produzido, e sim a carga tributária que o torna “o Iphone mais caro mundo”. Pagava-se um pouco mais para permitir uma vida digna aos taxistas. Hoje paga-se menos para garantir a exploração de pessoas desesperadas por uma empresa americana.

Para enfrentar esta fase, é fundamental o consumo consciente. O racionalismo econômico nos diz que levamos em conta apenas o preço na tomada de decisão. Seja irracional então. Compre da pequena mercearia ao invés de comprar no hipermercado. Sempre que possível, lembre que o seu dinheiro pode ajudar um pai de família dono de um pequeno estabelecimento a comprar um presente para o filho ao invés de ajudar um CEO de terno a viajar para Miami com o dinheiro do bônus que ele recebeu por demitir funcionários com o belo nome de “reestruturação”. E não use Uber. Seu dinheiro pode ajudar a garantir uma vida digna a um motorista ao invés de financiar um sistema destrutivo de desvalorização do trabalho. 

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